Todos os Domingos vejo uma grande multidão que se dirige à Igreja de minha Paróquia! É, as Missas estão lotadas! Imagino que sejam quase mil pessoas nas missas dos últimos horários!
Então você deve pensar: que Paróquia abençoada! Imagino como as pastorais estão em pleno funcionamento, atendendo a todos os que precisam, como os movimentos devem ser fortes, atingindo aos adolescentes, jovens e casais, como os grupos devem ser prodigiosos... E talvez até pense: Ah, como eu queria que minha Paróquia fosse assim! Não se anime tanto, meu caro irmão, pois não é bem assim...
Na verdade, as Missas estão cheias, mas as pastorais estão vazias. Isso mesmo, vazias! Vemos as mesmas carinhas, os mesmos fiéis, os mesmos batizados, em mais de uma pastoral, em mais de um movimento, lutando, se esforçando, suando para não deixar morrer muitos dos grupos formados na Paróquia. E então fica a pergunta: cadê aquele povo que vem à Igreja todos os Domingos? Por que não estão servindo na Igreja? Boa pergunta... Talvez a resposta seja a seguinte: porque o povo vai à Igreja, mas a Igreja não vai ao povo! Isso mesmo! Que adianta centenas, milhares de pessoas nas Missas, se o templo está cheio, mas as pessoas vazias?! Vazias da Palavra de Deus, mesmo indo à Sua Casa todos os Domingos, mesmo ouvindo Sua Palavra a cada Domingo, mesmo recebendo Seu Corpo e Sangue a cada Domingo, mesmo sendo exortados a se comprometerem com Deus a cada Domingo, mesmo relembrando o Sacrifício de Jesus a cada Domingo, muitos não percebem o que isso significa! Muitos não percebem que quando Jesus partiu o pão e o entregou a seus discípulos Ele não estava apenas criando um símbolo, mas nos deixando, além da Sagrada Eucaristia, um legado de fazermos exatamente o que Ele fez por nós, ou seja, repartirmo-nos, doarmo-nos uns aos outros!!!
É claro que não devemos fazer isso apenas na Igreja, devemos dar frutos para toda a humanidade e em cada uma de nossas ações, mas a Igreja é repleta de oportunidades para se fazer de tudo em termos de dar bom testemunho do Evangelho! Há uma diversidade de pastorais e movimentos, uma pluralidade de ministérios e espiritualidades, dons e carismas, mas um só é o Espírito (I Co 12, 7-10) que nos une e nos leva a servir a Deus! Por que não servir a Deus através de Sua Igreja?
Muitos poderão dizer: mas as pessoas têm que trabalhar, estudar, cuidar de suas famílias, de suas casas, de suas vidas! E então eu pergunto: será que os que estão se desdobrando em duas, três pastorais são desocupados, que nada mais têm o que fazer do que virem à Igreja? Quem os conhece sabe que não! Quem os conhece sabe que são pessoas como qualquer outra, mas que compreenderam que o chamado de Cristo para irem “pregar o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15), não é apenas para os padres e religiosos(as) que “não tem o que fazer além de cuidarem das coisas da Igreja, que ganham para isso!” (Deus perdoe aqueles que pensam isso de seus ungidos)... O chamado é para todo batizado, todo aquele que se tornou filho adotivo de Deus por sua fé em Jesus Cristo, mas muitos o recusam!
Não digo nada disso para acusar quem quer que seja, pois quem acusa não vem de Deus, mas o que Salva é um com o próprio Deus! E assim Jesus nos chama a sermos Igreja! Sim, amado, se você é um destes que apenas vai à Igreja, repense suas opções! Não apenas fique irritado ao ler estas palavras ou pense com que autoridade elas são escritas, mas reflita se não são verdadeiras. Procure conhecer a realidade de sua Paróquia, de sua comunidade. Visite pastorais, grupos, movimentos e perceberá que o que digo não ocorre apenas na minha, mas também na sua comunidade! Quantas Paróquias e Comunidades necessitam de braços como os seus e não os tem? Inúmeras!
Lembre-se das palavras de Jesus: "Todo aquele que der ainda que seja somente um copo de água fresca a um destes pequeninos, porque é meu discípulo, em verdade eu vos digo: não perderá sua recompensa". (Mt 10,42). Há muitos pequeninos discípulos de Deus precisando de descanso em sua comunidade, ou mesmo de auxílio! Sei que o mundo que criamos tornou o homem escravo do trabalho e do estudo, mas todos temos um tempinho, por menor que seja, para dedicarmos Àquele que deveria ter a prioridade em nossas vidas. Do contrário, não adianta virmos à Missa aos Domingos, pois, quando Jesus disser em seu Evangelho: “buscai primeiro o Reino de Deus e a sua Justiça e tudo o mais vos será acrescentado” (Mt 6, 33), estaremos fazendo justamente o contrário, ou seja, buscando as coisas da Terra em primeiro lugar e deixando as do Céu para depois. Pense nisso!!!
Temos ainda um outro assunto: A Igreja que vai ao povo! Sim, queridos, a Igreja é quem precisa ir ao povo e não o povo vir a Igreja! Precisamos levar a Palavra de Jesus e seus ensinamentos às pessoas que não vêm à Igreja também, por isso a necessidade de mais “operários na Messe do Senhor”! Quantas pessoas em nossa comunidade, em nosso trabalho, em nosso ambiente estudantil, enfim, em todos os lugares, se sentem abandonadas, desconhecedoras deste Deus que é Amor? Elas são carentes, mesmo quando moram em mansões! Sim, mesmo os ricos (e talvez estes mais do que os pobres) são necessitados da Palavra do Senhor! A conversão de um rico pode matar a fome de muitos pobres, já pensou nisso?
Portanto, queridos, precisamos ir a todos, ricos, pobres, batizados, não batizados, sãos, doentes, enfim, pregar o Evangelho a toda criatura, esforçando-nos, cada vez mais, para darmos nosso testemunho de cristãos autênticos e verdadeiros e não de hipócritas que desejam a paz de Cristo aos Domingos e fazem a guerra durante toda a semana, seja na família, seja no trabalho, seja em qualquer outro lugar! Pois carregamos o nome de Jesus desde o nosso batismo e precisamos prezá-Lo!
É claro que não somos perfeitos porque somos cristãos, muito pelo contrário, se dissermos isso mentimos (1Jo 1,8), mas, “Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniqüidade.” (1Jo 1,9) e, se somos pecadores, precisamos ser compassivos e compreensivos com os que pecam, pois não somos melhores do que eles, apenas temos consciência de que somos alvos da misericórdia do Senhor e eles ainda não!
Para finalizar conclamo a todos os cristãos batizados a serem Igreja e não apenas irem a Igreja! A viverem a fé verdadeiramente e não apenas socialmente ou por tradição familiar! Leia a Bíblia, leia o Catecismo da Igreja Católica, os Documentos da Igreja, participe das atividades da Paróquia, procure conhecer melhor a Santa Missa, procure conhecer os sacramentos, estude, leia e conheça cada vez mais o Senhor Jesus, pois foi Ele mesmo quem disse: “conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará” (Jo 8, 32).Agora, se você é como Pilatos, que perguntou a Jesus: “O que é a verdade?”(Jo 18,38), o próprio Cristo responde: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim". (Jo 14,6). Deus nos abençoe a todos!
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Judeus e Gregos
“Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria; mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus.” (1Co 1,22-24)
Embora escrito há quase dois mil anos, este trecho das Sagradas Escrituras reflete uma realidade muito viva ainda nos dias de hoje, como aliás, boa parte da Bíblia. É bem verdade que, em nossa comunidade, nem temos tantos gregos e judeus, ou mesmo descendentes, mas aprofundemo-nos mais no texto sagrado e compreenderemos que não se trata apenas de uma mensagem àqueles povos, mas a todos nós.
São Paulo nos fala neste trecho de algumas coisas interessantes e vou pontuá-las para facilitar a compreensão da mensagem que gostaria de passar:
“Os judeus pedem milagres”: pois bem, amados, lhes pergunto: vocês conhecem pessoas que afirmam só crer em Deus se virem manifestações extraordinárias? Com certeza todos conhecemos pessoas assim! Esses são os “judeus” de que nos fala este texto no dia de hoje! Já perceberam, nos Evangelhos, que por onde o Senhor Jesus passava Ele sempre reunia multidões? E o que procuravam estas multidões, senão milagres, curas, prodígios? E hoje em dia é diferente? Passem pelo Centro de qualquer cidade e, ao ver um amontoado de gente, perceba se esta aglomeração não aumenta? Assim são muitos que buscam a Deus pela novidade, pelos fenômenos... Não digo com isso que não se deva pedir milagres ao Senhor, longe disso, mas creio que não podemos seguir a Deus apenas pelos milagres que Ele faz, mas pelo que Ele é! Deus É amor, É misericórdia infinita, É o Senhor! Portanto, sejamos adoradores dAquele que se apresentou a Moisés dizendo: “Eu sou Aquele que sou!” (Ex 3, 14).
“os gregos reclamam a sabedoria”: até os dias de hoje continua notória a sabedoria grega, concordam? Filosofia, Literatura, Dramaturgia, Medicina, muitas de nossas ciências foram e ainda são altamente influenciadas pela propalada “sabedoria grega”. Pois bem, era de se esperar que este povo, para crer, precisasse compreender. E ainda hoje temos muitas pessoas que são assim! Pessoas de alto grau de instrução, presas a ciência, a razão, a explicações plausíveis para se encarar qualquer coisa como verdade. Assim eram os gregos, assim são os cultos de hoje. É claro que fé e razão devem andar juntas (é o que nos dizem a Tradição e o Magistério da Igreja, em especial a encíclica “Fides et Ratio” de nosso saudoso Papa João Paulo II), mas a razão não pode ser uma oposição à fé, pois a ciência vive de experiências e igualmente vive a fé! Calma, não estou louco! Vejam; ninguém crê em Deus e permanece na fé sem ter experiências pessoais que lhe comprovem esta fé, concordam? Pois bem, a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus, mas, se o indivíduo não “experencia” a vida em Deus, jamais será perseverante! Portanto, queridos, nossa razão deverá se curvar à Sabedoria superior, que vem de Deus, para que sejamos sábios, como o foi Salomão.
“mas nós pregamos Cristo crucificado”: certa vez estava no salão, cortando o cabelo, e o rádio estava sintonizado em uma emissora evangélica. O programa era um debate e um dos pastores convidados disse: “não se prega mais a cruz nas igrejas”. Fiquei feliz em ouvir isso, pois vivi dois anos em uma igreja protestante, ouvia rádios, conversava com pessoas e raramente se tocava no tema Jesus Crucificado, salvo quando se clamava este sangue para proteção ou remissão de pecados. E nós, católicos, temos pregado Cristo Crucificado? Vejo ainda muitas pessoas apenas pregando Cristo morto na cruz, mas Cristo crucificado tem um sentido muito mais amplo do que apenas a imagem do Filho de Deus sofrendo a agonia da cruz por nossos pecados... Cristo crucificado demonstra o cumprimento das promessas feitas através de Isaías: “Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas.” (Is 53, 4-5). Cristo crucificado não é Cristo derrotado, ou mesmo digno de pena, pelo contrário, o Crucificado é vitorioso, pois em tudo cumpriu a vontade do Pai e se entregou por nós, abrindo-nos o acesso ao Senhor, quando o véu do santuário se rasgou de alto a baixo! O Senhor Jesus nos deu livre acesso ao Pai com sua morte! Vitorioso é o Senhor Jesus Crucificado! Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado! Amado, não tenha vergonha de carregar a imagem do Crucificado em seu peito, mas jamais esqueça de carregá-la em seu coração, pois é ali que Jesus quer habitar, crucificado, ressuscitado, vencedor da morte!
“escândalo para os judeus e loucura para os pagãos”: conheço pessoas que não suportam rever o filme “A Paixão de Cristo”, pois acham que as cenas são de imensa violência, mas assistem programas policiais e filmes de terror ou ação e não se sentem afrontados. Por que será? É simples; nestes filmes e programas, os mortos ou feridos não tem qualquer ligação com a pessoa que assiste, mas Jesus tem! Jesus morreu por nós, por nossa causa! Éramos nós que deveríamos estar naquela cruz e não Ele! Pois Ele era inocente, perfeito, imaculado, sem pecado, divino, enquanto nós somos pecadores, cheios de defeitos e malícias que não vieram de nossa Criação Divina, mas foram adquiridos por nossa rebeldia. Dói ver que nem sempre eu valorizo o Sacrifício de Jesus em minha vida, que peco deliberadamente, que me afundo em vícios de toda espécie e que me entrego à carne, deixando de lado o espírito. Por isso a cruz de Jesus é escândalo para muitos, incluindo muitos que se dizem cristãos! É loucura, porque é difícil compreender que Deus possa ter amado “o mundo de tal maneira, que enviou Seu Filho Único para que todo aquele que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna!” (Jo 3, 16). Muitos se perguntam: mas por que Ele precisava morrer por nós? E a Igreja responde: porque só o Sangue de Deus, poderia ser suficiente para, uma vez por todas, desagravar o próprio Deus! Esta é a loucura da cruz!
“mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus.”: ah, que grande benção quando chegamos a uma ainda ínfima compreensão destas verdades!!! Sim, queridos, há ainda muitos mistérios no plano da Salvação, mas, para os eleitos, venham de onde vierem, sejam de onde forem, aqueles que creram verdadeiramente no Sacrifício Santo e Eterno de Jesus Cristo, reconhecem toda a força do Senhor, toda a Sabedoria de um Deus atuante no meio de seu povo. Costumo dizer que não temos um Deus “expectador”, ou seja, o Senhor não fica olhando dos altos Céus o que acontece e não se importa, pelo contrário! Ele vem em nosso auxílio! Ele se abaixa até à Terra para ouvir os seus amados! Assim como tirou o povo do Egito, através da loucura de atravessar o Mar Vermelho, também nos faz atravessar, a cada um de nós que nEle cremos, o mar da Salvação que está no Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo! Sim, queridos, sejamos loucos, como é louco o nosso Deus, pois São Paulo completa dizendo:
“Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.” (I Co 1, 25).
Embora escrito há quase dois mil anos, este trecho das Sagradas Escrituras reflete uma realidade muito viva ainda nos dias de hoje, como aliás, boa parte da Bíblia. É bem verdade que, em nossa comunidade, nem temos tantos gregos e judeus, ou mesmo descendentes, mas aprofundemo-nos mais no texto sagrado e compreenderemos que não se trata apenas de uma mensagem àqueles povos, mas a todos nós.
São Paulo nos fala neste trecho de algumas coisas interessantes e vou pontuá-las para facilitar a compreensão da mensagem que gostaria de passar:
“Os judeus pedem milagres”: pois bem, amados, lhes pergunto: vocês conhecem pessoas que afirmam só crer em Deus se virem manifestações extraordinárias? Com certeza todos conhecemos pessoas assim! Esses são os “judeus” de que nos fala este texto no dia de hoje! Já perceberam, nos Evangelhos, que por onde o Senhor Jesus passava Ele sempre reunia multidões? E o que procuravam estas multidões, senão milagres, curas, prodígios? E hoje em dia é diferente? Passem pelo Centro de qualquer cidade e, ao ver um amontoado de gente, perceba se esta aglomeração não aumenta? Assim são muitos que buscam a Deus pela novidade, pelos fenômenos... Não digo com isso que não se deva pedir milagres ao Senhor, longe disso, mas creio que não podemos seguir a Deus apenas pelos milagres que Ele faz, mas pelo que Ele é! Deus É amor, É misericórdia infinita, É o Senhor! Portanto, sejamos adoradores dAquele que se apresentou a Moisés dizendo: “Eu sou Aquele que sou!” (Ex 3, 14).
“os gregos reclamam a sabedoria”: até os dias de hoje continua notória a sabedoria grega, concordam? Filosofia, Literatura, Dramaturgia, Medicina, muitas de nossas ciências foram e ainda são altamente influenciadas pela propalada “sabedoria grega”. Pois bem, era de se esperar que este povo, para crer, precisasse compreender. E ainda hoje temos muitas pessoas que são assim! Pessoas de alto grau de instrução, presas a ciência, a razão, a explicações plausíveis para se encarar qualquer coisa como verdade. Assim eram os gregos, assim são os cultos de hoje. É claro que fé e razão devem andar juntas (é o que nos dizem a Tradição e o Magistério da Igreja, em especial a encíclica “Fides et Ratio” de nosso saudoso Papa João Paulo II), mas a razão não pode ser uma oposição à fé, pois a ciência vive de experiências e igualmente vive a fé! Calma, não estou louco! Vejam; ninguém crê em Deus e permanece na fé sem ter experiências pessoais que lhe comprovem esta fé, concordam? Pois bem, a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus, mas, se o indivíduo não “experencia” a vida em Deus, jamais será perseverante! Portanto, queridos, nossa razão deverá se curvar à Sabedoria superior, que vem de Deus, para que sejamos sábios, como o foi Salomão.
“mas nós pregamos Cristo crucificado”: certa vez estava no salão, cortando o cabelo, e o rádio estava sintonizado em uma emissora evangélica. O programa era um debate e um dos pastores convidados disse: “não se prega mais a cruz nas igrejas”. Fiquei feliz em ouvir isso, pois vivi dois anos em uma igreja protestante, ouvia rádios, conversava com pessoas e raramente se tocava no tema Jesus Crucificado, salvo quando se clamava este sangue para proteção ou remissão de pecados. E nós, católicos, temos pregado Cristo Crucificado? Vejo ainda muitas pessoas apenas pregando Cristo morto na cruz, mas Cristo crucificado tem um sentido muito mais amplo do que apenas a imagem do Filho de Deus sofrendo a agonia da cruz por nossos pecados... Cristo crucificado demonstra o cumprimento das promessas feitas através de Isaías: “Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas.” (Is 53, 4-5). Cristo crucificado não é Cristo derrotado, ou mesmo digno de pena, pelo contrário, o Crucificado é vitorioso, pois em tudo cumpriu a vontade do Pai e se entregou por nós, abrindo-nos o acesso ao Senhor, quando o véu do santuário se rasgou de alto a baixo! O Senhor Jesus nos deu livre acesso ao Pai com sua morte! Vitorioso é o Senhor Jesus Crucificado! Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado! Amado, não tenha vergonha de carregar a imagem do Crucificado em seu peito, mas jamais esqueça de carregá-la em seu coração, pois é ali que Jesus quer habitar, crucificado, ressuscitado, vencedor da morte!
“escândalo para os judeus e loucura para os pagãos”: conheço pessoas que não suportam rever o filme “A Paixão de Cristo”, pois acham que as cenas são de imensa violência, mas assistem programas policiais e filmes de terror ou ação e não se sentem afrontados. Por que será? É simples; nestes filmes e programas, os mortos ou feridos não tem qualquer ligação com a pessoa que assiste, mas Jesus tem! Jesus morreu por nós, por nossa causa! Éramos nós que deveríamos estar naquela cruz e não Ele! Pois Ele era inocente, perfeito, imaculado, sem pecado, divino, enquanto nós somos pecadores, cheios de defeitos e malícias que não vieram de nossa Criação Divina, mas foram adquiridos por nossa rebeldia. Dói ver que nem sempre eu valorizo o Sacrifício de Jesus em minha vida, que peco deliberadamente, que me afundo em vícios de toda espécie e que me entrego à carne, deixando de lado o espírito. Por isso a cruz de Jesus é escândalo para muitos, incluindo muitos que se dizem cristãos! É loucura, porque é difícil compreender que Deus possa ter amado “o mundo de tal maneira, que enviou Seu Filho Único para que todo aquele que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna!” (Jo 3, 16). Muitos se perguntam: mas por que Ele precisava morrer por nós? E a Igreja responde: porque só o Sangue de Deus, poderia ser suficiente para, uma vez por todas, desagravar o próprio Deus! Esta é a loucura da cruz!
“mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus.”: ah, que grande benção quando chegamos a uma ainda ínfima compreensão destas verdades!!! Sim, queridos, há ainda muitos mistérios no plano da Salvação, mas, para os eleitos, venham de onde vierem, sejam de onde forem, aqueles que creram verdadeiramente no Sacrifício Santo e Eterno de Jesus Cristo, reconhecem toda a força do Senhor, toda a Sabedoria de um Deus atuante no meio de seu povo. Costumo dizer que não temos um Deus “expectador”, ou seja, o Senhor não fica olhando dos altos Céus o que acontece e não se importa, pelo contrário! Ele vem em nosso auxílio! Ele se abaixa até à Terra para ouvir os seus amados! Assim como tirou o povo do Egito, através da loucura de atravessar o Mar Vermelho, também nos faz atravessar, a cada um de nós que nEle cremos, o mar da Salvação que está no Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo! Sim, queridos, sejamos loucos, como é louco o nosso Deus, pois São Paulo completa dizendo:
“Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.” (I Co 1, 25).
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