sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Judeus e Gregos

“Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria; mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus.” (1Co 1,22-24)

Embora escrito há quase dois mil anos, este trecho das Sagradas Escrituras reflete uma realidade muito viva ainda nos dias de hoje, como aliás, boa parte da Bíblia. É bem verdade que, em nossa comunidade, nem temos tantos gregos e judeus, ou mesmo descendentes, mas aprofundemo-nos mais no texto sagrado e compreenderemos que não se trata apenas de uma mensagem àqueles povos, mas a todos nós.
São Paulo nos fala neste trecho de algumas coisas interessantes e vou pontuá-las para facilitar a compreensão da mensagem que gostaria de passar:

“Os judeus pedem milagres”: pois bem, amados, lhes pergunto: vocês conhecem pessoas que afirmam só crer em Deus se virem manifestações extraordinárias? Com certeza todos conhecemos pessoas assim! Esses são os “judeus” de que nos fala este texto no dia de hoje! Já perceberam, nos Evangelhos, que por onde o Senhor Jesus passava Ele sempre reunia multidões? E o que procuravam estas multidões, senão milagres, curas, prodígios? E hoje em dia é diferente? Passem pelo Centro de qualquer cidade e, ao ver um amontoado de gente, perceba se esta aglomeração não aumenta? Assim são muitos que buscam a Deus pela novidade, pelos fenômenos... Não digo com isso que não se deva pedir milagres ao Senhor, longe disso, mas creio que não podemos seguir a Deus apenas pelos milagres que Ele faz, mas pelo que Ele é! Deus É amor, É misericórdia infinita, É o Senhor! Portanto, sejamos adoradores dAquele que se apresentou a Moisés dizendo: “Eu sou Aquele que sou!” (Ex 3, 14).

“os gregos reclamam a sabedoria”: até os dias de hoje continua notória a sabedoria grega, concordam? Filosofia, Literatura, Dramaturgia, Medicina, muitas de nossas ciências foram e ainda são altamente influenciadas pela propalada “sabedoria grega”. Pois bem, era de se esperar que este povo, para crer, precisasse compreender. E ainda hoje temos muitas pessoas que são assim! Pessoas de alto grau de instrução, presas a ciência, a razão, a explicações plausíveis para se encarar qualquer coisa como verdade. Assim eram os gregos, assim são os cultos de hoje. É claro que fé e razão devem andar juntas (é o que nos dizem a Tradição e o Magistério da Igreja, em especial a encíclica “Fides et Ratio” de nosso saudoso Papa João Paulo II), mas a razão não pode ser uma oposição à fé, pois a ciência vive de experiências e igualmente vive a fé! Calma, não estou louco! Vejam; ninguém crê em Deus e permanece na fé sem ter experiências pessoais que lhe comprovem esta fé, concordam? Pois bem, a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus, mas, se o indivíduo não “experencia” a vida em Deus, jamais será perseverante! Portanto, queridos, nossa razão deverá se curvar à Sabedoria superior, que vem de Deus, para que sejamos sábios, como o foi Salomão.

“mas nós pregamos Cristo crucificado”: certa vez estava no salão, cortando o cabelo, e o rádio estava sintonizado em uma emissora evangélica. O programa era um debate e um dos pastores convidados disse: “não se prega mais a cruz nas igrejas”. Fiquei feliz em ouvir isso, pois vivi dois anos em uma igreja protestante, ouvia rádios, conversava com pessoas e raramente se tocava no tema Jesus Crucificado, salvo quando se clamava este sangue para proteção ou remissão de pecados. E nós, católicos, temos pregado Cristo Crucificado? Vejo ainda muitas pessoas apenas pregando Cristo morto na cruz, mas Cristo crucificado tem um sentido muito mais amplo do que apenas a imagem do Filho de Deus sofrendo a agonia da cruz por nossos pecados... Cristo crucificado demonstra o cumprimento das promessas feitas através de Isaías: “Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas.” (Is 53, 4-5). Cristo crucificado não é Cristo derrotado, ou mesmo digno de pena, pelo contrário, o Crucificado é vitorioso, pois em tudo cumpriu a vontade do Pai e se entregou por nós, abrindo-nos o acesso ao Senhor, quando o véu do santuário se rasgou de alto a baixo! O Senhor Jesus nos deu livre acesso ao Pai com sua morte! Vitorioso é o Senhor Jesus Crucificado! Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado! Amado, não tenha vergonha de carregar a imagem do Crucificado em seu peito, mas jamais esqueça de carregá-la em seu coração, pois é ali que Jesus quer habitar, crucificado, ressuscitado, vencedor da morte!

“escândalo para os judeus e loucura para os pagãos”: conheço pessoas que não suportam rever o filme “A Paixão de Cristo”, pois acham que as cenas são de imensa violência, mas assistem programas policiais e filmes de terror ou ação e não se sentem afrontados. Por que será? É simples; nestes filmes e programas, os mortos ou feridos não tem qualquer ligação com a pessoa que assiste, mas Jesus tem! Jesus morreu por nós, por nossa causa! Éramos nós que deveríamos estar naquela cruz e não Ele! Pois Ele era inocente, perfeito, imaculado, sem pecado, divino, enquanto nós somos pecadores, cheios de defeitos e malícias que não vieram de nossa Criação Divina, mas foram adquiridos por nossa rebeldia. Dói ver que nem sempre eu valorizo o Sacrifício de Jesus em minha vida, que peco deliberadamente, que me afundo em vícios de toda espécie e que me entrego à carne, deixando de lado o espírito. Por isso a cruz de Jesus é escândalo para muitos, incluindo muitos que se dizem cristãos! É loucura, porque é difícil compreender que Deus possa ter amado “o mundo de tal maneira, que enviou Seu Filho Único para que todo aquele que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna!” (Jo 3, 16). Muitos se perguntam: mas por que Ele precisava morrer por nós? E a Igreja responde: porque só o Sangue de Deus, poderia ser suficiente para, uma vez por todas, desagravar o próprio Deus! Esta é a loucura da cruz!

“mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus.”: ah, que grande benção quando chegamos a uma ainda ínfima compreensão destas verdades!!! Sim, queridos, há ainda muitos mistérios no plano da Salvação, mas, para os eleitos, venham de onde vierem, sejam de onde forem, aqueles que creram verdadeiramente no Sacrifício Santo e Eterno de Jesus Cristo, reconhecem toda a força do Senhor, toda a Sabedoria de um Deus atuante no meio de seu povo. Costumo dizer que não temos um Deus “expectador”, ou seja, o Senhor não fica olhando dos altos Céus o que acontece e não se importa, pelo contrário! Ele vem em nosso auxílio! Ele se abaixa até à Terra para ouvir os seus amados! Assim como tirou o povo do Egito, através da loucura de atravessar o Mar Vermelho, também nos faz atravessar, a cada um de nós que nEle cremos, o mar da Salvação que está no Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo! Sim, queridos, sejamos loucos, como é louco o nosso Deus, pois São Paulo completa dizendo:

“Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.” (I Co 1, 25).

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